A economia brasileira começou o ano em terreno positivo, impulsionada principalmente pelo desempenho expressivo do agronegócio

Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu no primeiro trimestre, puxado por um salto na produção agrícola — com destaque para a soja, carro-chefe das exportações brasileiras.

O setor agropecuário registrou uma alta significativa no período, beneficiado por uma safra recorde, condições climáticas favoráveis e crescimento na demanda externa. A produção de soja, em especial, teve papel central nesse avanço, com maior volume colhido, aumento na produtividade e preços competitivos no mercado internacional.

Força do campo

A soja, principal cultura do país, representa mais de 40% do valor total da produção agrícola brasileira. No início do ano, o ritmo da colheita foi acelerado nos principais estados produtores, como Mato Grosso, Paraná e Goiás, garantindo resultados expressivos já no primeiro trimestre.

Além disso, a valorização do dólar frente ao real aumentou a competitividade do grão brasileiro no mercado externo, especialmente na China, que segue como o maior comprador. Isso contribuiu diretamente para a balança comercial positiva e para o avanço do setor primário da economia.

Reflexos no PIB

De acordo com o IBGE, o setor agropecuário teve uma das maiores contribuições individuais para o crescimento do PIB, compensando o desempenho mais moderado da indústria e do setor de serviços no mesmo período.

“Esse movimento mostra como o agronegócio ainda é um dos pilares da economia brasileira. A performance da soja, em especial, tem efeito multiplicador em várias cadeias produtivas”, explica o economista Fábio Lopes, da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Desafios pela frente

Apesar do bom resultado, analistas alertam para a dependência do Brasil em relação ao setor primário. A concentração do crescimento em poucos produtos, como a soja, deixa a economia vulnerável a oscilações climáticas, flutuações de preços internacionais e mudanças geopolíticas.

“O agro sustenta o PIB neste momento, mas para um crescimento sustentável é preciso ampliar o investimento em tecnologia, infraestrutura e diversificação industrial”, avalia Lopes.

Além disso, há preocupação com gargalos logísticos e com a demora na aprovação de projetos estruturantes, que ainda dificultam o escoamento da produção e elevam os custos internos.

Perspectivas

Para os próximos trimestres, a tendência é de desaceleração no ritmo de crescimento do agronegócio, à medida que a colheita da soja se encerra e o mercado internacional se ajusta. Ainda assim, o setor segue como peça-chave na retomada econômica do país.

“O Brasil tem um potencial gigantesco no agro. A questão é transformar esse crescimento de safra em desenvolvimento mais amplo e duradouro”, conclui o analista.

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