Após ouvir mais de 100 empresários, Planalto avalia alternativas enquanto tarifa de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor no início de agosto

O governo brasileiro segue sem uma definição oficial sobre como reagirá à tarifa de 50% anunciada pelos Estados Unidos para uma série de produtos importados, inclusive do Brasil. A medida, determinada pelo presidente norte-americano Donald Trump, deve entrar em vigor no dia 1º de agosto e já preocupa diversos setores da economia brasileira, especialmente a indústria de base tecnológica, o agronegócio e o setor de máquinas e equipamentos.

Na tentativa de formular uma resposta, o governo federal — por meio do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin — ouviu mais de 100 empresários e representantes de setores estratégicos nas últimas semanas. A proposta de uma retaliação imediata foi descartada por ora, e o Brasil trabalha com três possibilidades: tentar adiar a tarifa, negociar diretamente com os EUA por meio de missões políticas e empresariais ou buscar apoio multilateral via organizações internacionais.

O problema: prejuízos econômicos e risco diplomático

A falta de resposta imediata tem causado inquietação entre os exportadores. Para muitos deles, os prejuízos podem ser bilionários, uma vez que muitos embarques de mercadorias já foram feitos com base nas regras atuais. A aplicação retroativa da nova tarifa pode inviabilizar contratos, aumentar os custos e prejudicar a competitividade dos produtos brasileiros no maior mercado consumidor do mundo.

Além do impacto econômico direto, especialistas alertam para o risco diplomático. A ausência de uma reação firme pode fragilizar a posição do Brasil em futuras negociações comerciais, especialmente com os Estados Unidos. Por outro lado, uma resposta precipitada — como a imposição de tarifas em produtos norte-americanos — poderia desencadear uma guerra comercial que afetaria setores dependentes de insumos e tecnologia dos EUA.

Negociação direta e articulação no Congresso

Como parte da estratégia de contenção, o governo pretende enviar missões a Washington. Parlamentares e empresários devem se reunir com representantes da Casa Branca e do Congresso norte-americano entre os dias 29 e 31 de julho. O objetivo é mostrar que a medida afeta diretamente as relações bilaterais e pode empurrar o Brasil para uma aproximação maior com a China — cenário que os próprios americanos gostariam de evitar.

Enquanto isso, o governo brasileiro prepara um plano de contingência que deverá ser apresentado ao presidente Lula nos próximos dias, com eventuais ações diplomáticas, comerciais e políticas. A expectativa é de que alguma definição ocorra ainda nesta semana, antes da entrada em vigor das tarifas.

Impactos por setor