Brasília, dezembro de 2025 — Depoimento bombástico prestado à CPMI do INSS reacendeu a polêmica em Brasília: um ex-funcionário do “Careca do INSS”, Antônio Carlos Camilo Antunes, afirmou que Lulinha teria recebido uma “mesada” mensal de R$ 300 mil, além de repasses que somariam R$ 25 milhões.

Segundo o relato, os pagamentos seriam feitos diretamente por Antunes, apontado como operador central do esquema de descontos indevidos e irregularidades no sistema previdenciário. Há ainda menção de que eles teriam viajado juntos — inclusive para Portugal — o que reforçaria a proximidade.
Para quem acompanha o caso de fora das bolhas políticas, os números e a ousadia das acusações soam quase inacreditáveis: se fosse verdadeiro, não se trataria de uma falha isolada, mas de um escândalo que atinge diretamente a família do presidente.
Mas o que incomoda parte da população e atores da oposição é o que vem depois — a aparente falta de empenho de alguns deputados e senadores da CPMI para aprofundar a investigação.
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Blindagem, recuo e omissão: quem protege quem?
Críticos do governo e defensores de uma CPI “dura e sem concessões” argumentam que há uma clara tentativa de obstrução. Como denúncia, citam o episódio em que a convocação do ex-funcionário que fez o depoimento (o “delator”) teria sido rejeitada por parlamentares alinhados ao governo.
O senador Eduardo Girão, por exemplo, chegou a denunciar que a base que apoia o governo estaria atuando ativamente para “blindar” suspeitos, barrando convocações e freando pedidos de prisão.
Para essa ala, o fato de o acusado de operar o esquema — o “Careca do INSS” — estar preso não basta: se há indícios de que recursos foram repassados a figuras próximas ao presidente, como o filho do chefe do Executivo, é dever da CPMI investigar até o fim, sem privilégios.
O medo — e a acusação — é de que a comissão, em vez de buscar a verdade, esteja buscando proteger interesses políticos. Afinal, se há dúvidas sobre repasses suspeitos, por que tanto esforço para barrar convocações e preservar sigilos?
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Oposição exige transparência — mas será que há vontade no Congresso?
Parlamentares de oposição intensificaram nas últimas horas os pedidos para que Partido Liberal (PL) e agrupamentos aliados pressionem para que o depoente seja ouvido, e que a investigação alcance todas as pontas — sem privilégios de intimidade política.
O argumento geral é simples: se o esquema levantado pelo “Careca do INSS” desviava recursos da Previdência — de aposentados, pensionistas e demais beneficiários — e parte desse dinheiro poderia ter chegado a pessoas próximas ao governo, há um “interesse público de sobrevivência”: descobrir onde foi parar o dinheiro.
Para a ala crítica, permitir que familiares de autoridades continuem impunes seria abrir espaço para impunidade institucional — e corroeria a confiança da sociedade no parlamento, no sistema de Justiça e nas investigações.
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“Ouvir Lulinha é indispensável” — caso contrário, CPI perde credibilidade
Diante do escândalo de proporções graves, muitos acreditam que somente uma postura firme garantirá que a CPI recupere sua função essencial: expor irregularidades, responsabilizar quem agiu errado e impedir que o sistema previdenciário seja saqueado em proveito de poucos.
Se a comissão recua, rejeita convocação de delatores ou se esquiva de quebrar sigilos, corre o risco de ser vista como mais uma engrenagem de impunidade — e de maus políticos protegendo seus.
Para parte expressiva da oposição e da opinião crítica, a convocação de Lulinha e a quebra de sigilos deveriam ser prioridade absoluta. Sem isso, a CPI perde legitimidade, e os envolvidos — independentemente de nome ou parentesco — permanecem intocáveis.