Com a cota máxima de 16,74 metros atingida neste ano, a cheia afetou 51 comunidades ribeirinhas; famílias enfrentam prejuízos, perda de bens e incertezas sobre o futuro.

Tragédia Anunciada
A cheia do rio Madeira, em Porto Velho (RO), atingiu neste ano sua cota máxima de 16,74 metros, deixando um rastro de destruição em dezenas de comunidades ribeirinhas. Ao todo, 51 comunidades foram diretamente impactadas pelas águas, que avançaram sobre casas, plantações, escolas e postos de saúde, forçando o deslocamento de centenas de famílias.
“Perdemos tudo”
Em meio aos escombros de sua casa alagada, Maria do Carmo, moradora da comunidade Cujubim, lamenta: “Perdemos tudo. Geladeira, colchões, roupas das crianças… não conseguimos salvar nada. Só saímos com a roupa do corpo”. Ela e o marido, pescador artesanal, agora vivem em um abrigo improvisado fornecido pela prefeitura, junto com outras famílias desalojadas.

Impactos sociais e econômicos
A cheia não afetou apenas os lares, mas também a economia local. Ribeirinhos que vivem da pesca, agricultura de subsistência e do extrativismo perderam suas fontes de renda. “O roçado foi todo levado. A mandioca, o milho… a gente vai ter que recomeçar do zero”, relata seu Manoel, de 62 anos, agricultor da região do baixo Madeira.
Além disso, o transporte de insumos e alimentos ficou comprometido. Comunidades que dependem exclusivamente de barcos ficaram isoladas durante dias, com dificuldade de acesso a mantimentos e serviços básicos de saúde.
Apoio emergencial
Equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Secretaria Municipal de Assistência Social foram mobilizadas para atender as famílias atingidas. Foram montados abrigos temporários em escolas e centros comunitários da capital, além de distribuição de cestas básicas, kits de higiene e água potável.
Segundo a Defesa Civil, mais de 800 famílias já foram cadastradas para receber auxílio emergencial, enquanto o governo estadual avalia decretar situação de emergência nas áreas afetadas.
Risco recorrente
A cheia do rio Madeira é um fenômeno que se repete anualmente, mas com intensidades variadas. Em 2014, o rio registrou sua maior cheia histórica, ultrapassando 19 metros e causando prejuízos milionários. Apesar dos alertas frequentes, muitas comunidades ainda não possuem estrutura adequada para enfrentar esses eventos.
Especialistas apontam que o aumento da frequência e da intensidade das cheias pode estar relacionado às mudanças climáticas e ao desmatamento na bacia hidrográfica.
Recomeço difícil
Enquanto as águas começam a baixar, o cenário que fica é de desolação e desafios. “Vamos ter que reconstruir tudo de novo, mas a gente não sabe nem por onde começar”, diz Maria do Carmo, segurando uma fotografia molhada, um dos poucos objetos que conseguiu resgatar. Ela, como tantas outras famílias ribeirinhas, agora aguarda apoio para recomeçar a vida.