Declaração da primeira-dama sobre a regulação das redes na China gera revolta no Brasil e levanta debate sobre risco à liberdade de expressão.

Durante uma fala que rapidamente se espalhou nas redes sociais, Janja da Silva, primeira-dama do Brasil, gerou enorme controvérsia ao elogiar abertamente o modelo de controle das redes sociais aplicado pela China, sob o regime de Xi Jinping. A declaração ocorreu durante um evento onde ela mencionou com naturalidade o rigor das leis chinesas que incluem, inclusive, punições severas e prisões para quem desrespeita as regras impostas pelo Estado sobre o ambiente digital.

“Ele (Xi Jinping) disse: se aqui não seguir a regra tem efeito, tem prisão, sabe? Tem toda uma legislação.”, afirmou Janja, causando espanto entre usuários de internet, juristas e defensores da liberdade de expressão.

Repercussão negativa imediata

A fala foi interpretada por muitos como uma defesa do cerceamento da liberdade de expressão. Parlamentares da direita e defensores de direitos civis no Brasil reagiram com duras críticas. Para eles, a admiração por um sistema que censura, controla e até prende cidadãos por expressarem opiniões na internet é inadmissível dentro de uma democracia.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) foi um dos primeiros a se manifestar:

“Isso é um escárnio! Uma afronta à nossa Constituição. O Brasil é uma democracia e não vai aceitar que modelos autoritários sejam romantizados.”

Censura, controle e repressão

Na China, o controle da internet inclui filtros, bloqueios de sites internacionais, vigilância em massa e prisões de cidadãos por simples postagens. Esse modelo vai contra os princípios basilares da democracia, como liberdade de expressão, livre manifestação do pensamento e acesso livre à informação.

Reflexo no cenário brasileiro

A declaração reacende o debate sobre os avanços de propostas legislativas que visam regular as redes sociais no Brasil, com forte resistência da direita e de setores da sociedade civil que denunciam tentativas de censura disfarçadas de “combate à desinformação”.

Conclusão

A fala de Janja levanta um alerta: até que ponto o atual governo flerta com práticas que afrontam a liberdade? A democracia não sobrevive sem vozes livres, sem debate e sem contraditório. E, certamente, o Brasil não é — e não pode se tornar — uma China.