Em uma decisão histórica, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) anunciou nesta quinta-feira (30) novas medidas mais severas no combate ao racismo no futebol. Entre as punições previstas estão a perda de pontos, eliminação de competições e até o rebaixamento de clubes cujas torcidas, jogadores ou membros da comissão técnica cometam atos discriminatórios.

A nova política foi aprovada pelo Conselho da Fifa como parte de uma atualização do Código Disciplinar da entidade, e deve entrar em vigor já nas próximas competições organizadas pela federação, incluindo torneios internacionais de base e profissionais.

“Não há mais espaço para o racismo no futebol. As punições precisam ser exemplares para que o recado seja claro: a discriminação não será tolerada em nenhuma instância”, declarou o presidente da Fifa, Gianni Infantino, durante a coletiva de imprensa realizada na sede da entidade, na Suíça.

Medidas concretas

De acordo com o documento divulgado pela Fifa, as novas punições poderão ser aplicadas em casos de insultos raciais, cânticos discriminatórios, gestos ofensivos ou qualquer outro tipo de comportamento preconceituoso dentro ou fora de campo, incluindo redes sociais.

As sanções previstas incluem:

A Fifa também determinou que os árbitros terão poder reforçado para interromper ou encerrar partidas em casos de manifestações racistas, com proteção institucional garantida.

Pressão internacional

A decisão ocorre em meio a uma crescente pressão internacional por respostas mais efetivas ao racismo no esporte. Casos recentes, como os ataques sofridos pelo atacante brasileiro Vinícius Júnior em estádios espanhóis, intensificaram o debate sobre a omissão de entidades esportivas e a impunidade dos envolvidos.

“É inadmissível que em 2025 ainda estejamos vendo atletas sendo chamados de macacos e agredidos por sua cor ou origem. A Fifa finalmente deu um passo na direção certa”, afirmou o ex-jogador francês Lilian Thuram, ativista contra o racismo no esporte.

Expectativa nos países

As federações nacionais agora terão de se adequar às novas diretrizes, e a expectativa é de que campeonatos como o Brasileirão, La Liga, Premier League e Champions League passem a aplicar punições mais rígidas. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ainda não se manifestou oficialmente, mas fontes internas indicam que a entidade apoiou a mudança.

Especialistas em direito esportivo apontam que a medida poderá gerar disputas judiciais, especialmente em campeonatos com grande valor financeiro envolvido, mas avaliam a iniciativa como necessária. “A impunidade estava institucionalizada. Com perdas reais de pontos e rebaixamento, os clubes e torcidas vão pensar duas vezes antes de tolerar atos racistas”, disse a advogada esportiva Carolina Costa.

Com o novo código, a Fifa espera não apenas punir com mais rigor, mas também estimular campanhas de prevenção e educação dentro das federações filiadas. Para Infantino, trata-se de um compromisso inegociável: “Se queremos um futebol verdadeiramente global, ele precisa ser inclusivo, respeitoso e justo para todos”.