Medida visa identificar possíveis financiadores que auxiliaram deputada após ser incluída na lista de foragidos da Interpol

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o Banco Central repasse dados detalhados de transações feitas via Pix em benefício da deputada Carla Zambelli (PL-SP), que foi incluída na lista de foragidos da Interpol. A decisão tem como objetivo rastrear quem são os apoiadores que, financeiramente, contribuíram com a parlamentar durante o período em que ela deixou o país.
A solicitação inclui informações como nomes, CPFs, CNPJs, dados bancários, valores e datas das transações. Moraes quer identificar não apenas os responsáveis pelos repasses, mas também verificar se há indícios de crimes como financiamento de fuga, lavagem de dinheiro ou associação criminosa.
Por que o rastreamento via Pix?
O Pix, por ser um meio de pagamento instantâneo e rastreável, permite ao Banco Central e às autoridades obterem um mapa completo de todas as movimentações financeiras feitas em tempo real. Essa estratégia já foi utilizada em outras investigações, especialmente em casos relacionados aos atos de 8 de janeiro.
Contexto da fuga de Zambelli
Carla Zambelli deixou o Brasil após ser condenada pelo STF a 10 anos de prisão por invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e outros crimes associados. A deputada alegou que saiu do país em busca de tratamento médico, porém, a Justiça considera sua saída uma fuga.
Desde então, a Interpol incluiu seu nome na lista de foragidos internacionais, o que permite sua prisão em qualquer país que mantenha acordo de cooperação internacional com o Brasil.
Impacto e repercussão
A decisão de Moraes gerou grande repercussão nas redes sociais, dividindo opiniões. Enquanto apoiadores da deputada afirmam que se trata de perseguição política, juristas sustentam que o rastreamento das doações é legítimo, uma vez que busca verificar a legalidade dos recursos envolvidos.
O Banco Central tem até 72 horas para fornecer as informações solicitadas. Dependendo do que for encontrado, novos desdobramentos judiciais podem ocorrer, inclusive com responsabilização penal de financiadores.