Taxa de fecundidade cai para 1,55–1,57 filho em 2022/2023, segundo o Censo 2022 e projeções do IBGE

Dados preliminares do Censo Demográfico 2022 e estimativas do IBGE mostram que o número médio de filhos por mulher no Brasil caiu para o menor índice já registrado:
- Em 2022, o Censo apontou taxa de 1,55 filho por mulher
- Em 2023, as projeções atualizadas indicam 1,57 filho por mulher
- Esses valores estão bem abaixo do nível de reposição populacional, fixado em 2,1 filhos por mulher
Um declínio contínuo desde a metade do século XX
- Em 1960, cada brasileira tinha, em média, 6,28 filhos
- A taxa caiu para cerca de 2,32 em 2000, 1,75 em 2010, chegando a 1,66 em 2020 — com forte aceleração da queda nas últimas décadas
Disparidades regionais e raciais
- Regiões com maiores taxas em 2023:
- Norte: 1,83
- Centro-Oeste: 1,71
- Sudeste registrou 1,48 (a menor do país)
- Unidades da Federação:
- Roraima ainda está acima da reposição (2,26)
- Rio de Janeiro teve a taxa mais baixa: 1,39
- Por escolaridade: mulheres com ensino superior têm em média 1,19 filhos; entre sem instrução, esse valor sobe para 2,01
- Por raça: indígenas estão na frente (2,84 filhos), seguidos por pardas (1,68), pretas (1,59), brancas (1,35) e amarelas (1,22)
Adiamento da maternidade
- A idade média ao primeiro nascimento subiu de 26,3 anos (2000) para 28,1 anos (2022), com previsão de atingir 31,3 anos até 2070
Implicações
- A população deve começar a diminuir em 2041, com envelhecimento acelerado e redução no número de nascimentos
- Menos filhos significam menos jovens atuando no mercado de trabalho no futuro, pressão sobre previdência, saúde e sustentabilidade demográfica