Medida afeta produtos agrícolas, siderúrgicos e energéticos; governo brasileiro estuda retaliação e alerta para impacto econômico bilateral

Porto Velho RO— 30 de julho de 2025

O ex-presidente dos Estados Unidos e atual candidato republicano à presidência, Donald Trump, assinou nesta terça-feira um decreto que impõe uma tarifa de 50% sobre uma ampla gama de produtos importados do Brasil. A medida, segundo Trump, visa “proteger a indústria americana” e responder a práticas comerciais que ele classificou como “desleais”.

A tarifa entra em vigor imediatamente e atinge setores estratégicos como agronegócio (soja, carne, açúcar), siderurgia (aço e alumínio) e energia (etanol). Analistas apontam que o decreto tem forte conteúdo político e está alinhado ao endurecimento do discurso trumpista contra países aliados da esquerda na América Latina.

“O Brasil tem se beneficiado injustamente do nosso mercado por muito tempo”, declarou Trump em um comício na Flórida. “Vamos proteger os trabalhadores americanos e parar de favorecer governos que atacam liberdades”.

O Palácio do Planalto emitiu uma nota classificando a decisão como “inamistosa e injustificada” e afirmou que medidas de retaliação estão sendo avaliadas. Diplomatas brasileiros em Washington foram instruídos a buscar diálogo com representantes do Congresso e do setor privado dos EUA.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e entidades do agronegócio já demonstraram preocupação, alertando que a tarifa pode gerar prejuízos bilionários e afetar milhares de empregos no Brasil.

O cenário aumenta a tensão entre os dois países, já abalada pela recente sanção americana contra o ministro Alexandre de Moraes. Especialistas temem uma escalada protecionista às vésperas das eleições americanas.