O estado do Rio de Janeiro vive um cenário alarmante em 2025: quase metade das mortes violentas de agentes de segurança pública no Brasil ocorreu em solo fluminense.

O dado, revelado por um levantamento nacional divulgado nesta semana, reacende o debate sobre a vulnerabilidade desses profissionais em áreas de conflito e sobre a eficácia das políticas de segurança no estado.

De janeiro a junho, foram registradas 84 mortes de policiais civis, militares, penais e agentes da segurança privada em todo o país. Deste total, 41 ocorreram no Rio de Janeiro, número que representa 48,8% das vítimas em todo o território nacional. As estatísticas incluem tanto agentes mortos em serviço quanto fora do horário de trabalho.

O número já supera o total de casos registrados no mesmo período do ano passado, indicando uma escalada preocupante. A maioria dos assassinatos tem relação direta com o crime organizado, que domina comunidades e desafia a autoridade estatal. Em muitos casos, os agentes foram alvos de emboscadas ou ataques deliberados em regiões dominadas por facções armadas.

Para o sociólogo e especialista em segurança pública André Lacerda, o crescimento da letalidade entre agentes está ligado à sobreposição de três fatores: a militarização das operações policiais, a expansão territorial das milícias e do tráfico, e a falta de estrutura adequada para o trabalho das forças de segurança.

— O Rio de Janeiro vive uma guerra não declarada em diversas áreas. Os policiais são colocados na linha de frente, muitas vezes sem equipamento adequado e sem o suporte necessário — afirma Lacerda.

A Polícia Militar do Rio declarou que vem reforçando ações de inteligência para prevenir ataques a agentes e desarticular quadrilhas envolvidas em execuções. Já o governo estadual prometeu a criação de um plano emergencial para proteção dos servidores da segurança pública, com foco em treinamento, monitoramento e investimento em tecnologia.

Mas, para familiares das vítimas, as promessas soam como repetição de discursos antigos. “Meu irmão morreu defendendo o estado, e o que nós tivemos foi abandono”, desabafa Mariana*, irmã de um policial assassinado na Baixada Fluminense em maio.

A escalada de violência reacende o debate sobre o modelo de segurança adotado no Rio e aponta para a necessidade urgente de políticas integradas que protejam não apenas a população, mas também aqueles que têm a missão de protegê-la.

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