Influenciadora detalha contratos com plataformas de apostas, rebate críticas e cobra definição do Congresso sobre o setor.

Porto Velho (RO) – Em meio à crescente pressão sobre influenciadores que promovem apostas esportivas online, a empresária e influenciadora digital Virginia Fonseca prestou depoimento nesta terça-feira (13) à CPI das Bets, instalada no Senado Federal. A comissão busca investigar possíveis irregularidades e abusos envolvendo casas de apostas e sua relação com o público, especialmente jovens e pessoas em situação de vulnerabilidade financeira.

Convocada como testemunha, Virginia foi ouvida por mais de duas horas e respondeu aos questionamentos com firmeza, negando que tenha lucrado com as perdas financeiras de seus seguidores. “Nunca ganhei com a desgraça de ninguém”, afirmou, em resposta ao senador Jorge Kajuru (PSB-GO), que citou denúncias sobre o chamado “cachê da desgraça”, uma prática em que influenciadores supostamente receberiam bônus proporcionais aos prejuízos dos apostadores.


“Tudo foi declarado. Não tenho o que esconder”, diz Virgínia

Durante seu depoimento, Virginia deixou claro que seus contratos com plataformas de apostas foram formais e declarados à Receita Federal. Segundo ela, a promoção desses serviços foi feita com responsabilidade, respeitando as regras da época:

“Em todas as postagens, eu informava que era necessário ter mais de 18 anos, que se tratava de um jogo onde se podia ganhar ou perder, e que, se a pessoa tivesse qualquer vício ou problema com apostas, não deveria participar”, declarou.

Ela também reforçou que não aceitou contratos com sites ilegais ou sem regulamentação no Brasil, e que confia na responsabilidade do Congresso para resolver o impasse regulatório:

“Se é tão prejudicial assim para a população, então que proíbam de vez. Agora, ficar nesse meio-termo só prejudica quem está trabalhando de forma correta.”


Virgínia nega fortuna baseada em apostas: “Meu dinheiro vem da Wepink”

Questionada sobre os valores recebidos com publicidades de apostas, Virgínia foi taxativa:

“A maior parte da minha renda vem da minha empresa de cosméticos, a Wepink. Só no ano passado, ela faturou R$ 750 milhões. Eu não dependo de casas de apostas para viver. Faço publicidade como qualquer outra influenciadora, com responsabilidade.”

Ela também explicou que, atualmente, não mantém mais contrato com nenhuma empresa de apostas, e que prefere se afastar do setor diante da polêmica crescente.


Tensão com senadora e vídeo polêmico

Um dos momentos mais tensos da sessão foi protagonizado pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), relatora da CPI. A parlamentar exibiu um vídeo de 2022 em que Virginia aparece dizendo estar “viciada em jogar com cautela”.

Visivelmente incomodada, a influenciadora respondeu em tom elevado:

“Esse vídeo é antigo, de mais de dois anos. Naquele tempo, não existia qualquer regulamentação do Conar [Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária] sobre isso. Hoje, há regras. Eu aprendi muito desde então.”

Após o embate, Virginia se acalmou e pediu desculpas:

“Peço desculpas se me exaltei. Eu respeito todos aqui, estou à disposição da CPI e vim aqui para colaborar com a verdade.”


Relatora elogia presença de Virgínia: “Deu exemplo”

Apesar do confronto, a senadora Soraya elogiou a disposição de Virgínia em comparecer espontaneamente e responder a todas as perguntas:

“A sua postura aqui hoje foi exemplar, especialmente diante de outros influenciadores que têm se recusado a colaborar com esta Comissão. O nosso objetivo aqui não é condenar, mas sim entender como funciona esse mercado e proteger os consumidores.”

A relatora também destacou a necessidade urgente de uma regulamentação clara para as apostas online no Brasil:

“Esse setor movimenta bilhões, mas ainda está num limbo jurídico. Isso é ruim para os consumidores, para os trabalhadores e até para o próprio governo.”


Próximos passos da CPI

A CPI das Bets deve ouvir ainda outros influenciadores, incluindo nomes que promoveram sites de apostas sem autorização para operar no Brasil. Também estão sendo chamados donos de casas de apostas, representantes de plataformas e autoridades da área financeira.

O presidente da Comissão, senador Jorge Kajuru, afirmou que há indícios de práticas abusivas e lavagem de dinheiro, que serão aprofundadas nas próximas sessões.


Conclusão

O depoimento de Virgínia Fonseca trouxe novos elementos ao debate sobre a responsabilidade dos influenciadores digitais e a urgência de se definir um marco legal para as apostas online no país. Enquanto a CPI segue apurando os bastidores do setor, a sociedade observa com atenção o posicionamento das personalidades públicas que impactam milhões de brasileiros todos os dias.